Dizia sempre, que a vida é feita dos fracassos, achava ele muito melancólico e negativo, acabando por não lhe dar a devida importância, hoje encaro de maneira diferente, não serei eu um hipócrita (Termo usado para anteceder uma frase tipicamente hipócrita), mas depois de uma certa idade começamos a entender.
E o ponto é esse, a vida é feita das coisas ruins, do medo, da solidão, da dor e da perda. Guardamos em nossas cabeças, o fracasso, como daquela vez, uma menina que deixou partir ou pior, que por falta de coragem nem chegou a tentar, o amor perdido em uma primavera convertido em saudade nas noites do inverno ou mesmo a falta de amor tudo isso compõe o bolero da vida, um ritmo agitado, mas que não lhe da a vontade de dançar. O coração palpita, a respiração falha e a mente se perde em desvaneio, por entre a fumaça de cigarros. Nessa viajem passamos por países, estados, cidades os pés se agitam como que preparado para o ritmo, as mãos soam, mas não se quer dançar.
Foi assim, dessa forma que eu perdi tudo, deixei que levassem o sorriso, o olhar, o seu gingado, mesmo com o coração a mil, não fui capaz de dançar, não fui capaz de amar, de ter coragem e pior não pude larga-lá.
Não vejo motivo de começar uma historia pelo fim, mas é mais que justo, é sempre do fim e não do inicio que surgem as melhores historias, é do não-olhar e da não-vontade de escrever que surgem os amores e os poemas. E com ela não podia ser diferente, um não-balançar dos ombros, um ai ai, a falta de seu olhar e sua distancia(fria, mas aquecida de boas conversas), e foi nesse ritmo que a dança começou, um não seco, seguido de um não-lhar que dizia sim. Não me sinto bem, a viajem será longa, mas a historia que se conta por sí, sem influência, sem bolar uma linguagem adequada e sem vontade de escrever.
Ela pareceu merecer, cada texto, frase, palavra e gotas derramadas no papel branco. Ela é como uma dessas pessoas que não se quer evitar, seu não-olhar, a forma como fala, ai ai (Imagino sua boca, movimentando-se lento, congelo no tempo, vendo sua linguá tocar lentamente o céu da boca, a-i-a-i) , e por mais que finja, que negue, ela percebe que está atraído, preso em seu charme, ela se torna seu porto, sua base, por ela voltei a escrever, e isso foi mágico.
Lembro-me, de estar ali, impaciente, a musica estava alta, eu precisava sair, acender um cigarro, um longo trago, um olhar em volta, e bem ali, por dentre a nuvem de fumaça, como se lesse meus desejos aquela hora estava ela, bela, confiante, um olhar seguro, tento firmar sobre a cadeira, minhas pernas bambas, minhas mãos frias, o suor e a musica.
Ela caminhava, Jenifer ou Jen? Diante dos meus olhos, pisquei e lá estava, ainda a me olhar, como se tudo fosse normal, mas não era.
O poder de uma mulher, em conquistar, em falernos humanos, simples e fragios humanos. De nos recordar que ainda estamos vivos e que derrepente isso não é tão ruim assim, e que a vida pode mudar. Nossa me lembro como se nem tive sido um sonho, um bom sonho, ela se aproximava cada vez mais, seus passos podiam ser ouvidos por mim, tum – tum, tum – tum, e aceleravam, suas passadas eram lentas, eu continuava imóvel, imaginando quando seria a hora de acordar e tentando impedir isso, rezando para que ninguém viesse a minha cama, diante do meu corpo imóvel e sorridente e chamasse por meu nome “Maaaarciuuuuus” longe, muito longe.
Nessa hora alguém me chama, olho para trás e é um amigo, fica espantado com minha face, pálida, envolvida em algo maior que minha própria promoção, volto o rosto, rápido, sorridente, “Jen você veio?” Jenn? Quem ? nada havia para ver, se não um monte de pessoas sem graça, conversando e olhando, espantados pela loucura do recém-promovido Marcius.